Tem gente que acha que pra saber se um café é bom precisa de diploma, avental e um vocabulário cheio de palavra difícil. Uai, precisa não. Bastam uns detalhes simples, que qualquer um percebe na hora de comprar e de tomar.

Bora por partes.

Começa lá na roça

Café bom não nasce no pacote, nasce no pé. O produtor escolhe a variedade que combina com a terra, o clima e a altitude, colhe só os frutos maduros, seca com cuidado e deixa descansar. Depois vem a torra, que é quem tira o melhor de cada grão.

Sobre a torra, um resuminho rápido:

  • Clara: café mais suave, com uma acidez mais viva, lembrando fruta.
  • Média: o meio-termo, equilibra doçura, corpo e acidez.
  • Escura: mais amarga e intensa. Se passar do ponto, começa a aparecer aquele gostinho de queimado.

Não tem torra certa ou errada. Tem a que você gosta.

Na hora de comprar, dá uma espiada no pacote

O pacote conta muita coisa. Vale procurar:

  • Se é arábica. Costuma ser o grão mais cuidado e mais saboroso.
  • De onde vem. Região, fazenda, nome do produtor, altitude. Quem se orgulha do que faz gosta de mostrar.
  • Grão ou moído. Se puder, prefira em grão e moa na hora. Mas se não tem moedor, tudo bem: pede moído pro seu método e segue a vida.

Pacote que não fala nada do café geralmente não tem muito o que contar.

Na xícara, confia no seu nariz e na sua boca

Aqui é onde a mágica acontece, e você já sabe fazer isso:

  • Cheira o pó. Tem que ser um cheiro gostoso. Se lembrar queimado ou produto químico, desconfia.
  • Cheira o café pronto. Antes do primeiro gole, dá aquela respirada.
  • Prova com calma. Café bom não deixa a boca amarga e travada. Ele pode lembrar chocolate, caramelo, castanha, fruta… cada um tem seu jeitinho.

Quer treinar o paladar? Não tem segredo: prova cafés diferentes. É exatamente por isso que o clube da Uai reúne várias torrefações. Cada mês é uma descoberta nova na sua xícara.

E em casa, uns cuidadinhos que fazem diferença

Guarda direito. Nada de geladeira, porque o café pega umidade e cheiro de tudo que tem lá dentro (ninguém quer café com gosto de cebola). Deixa no pacote original, bem fechado, dentro de um pote vedado, num cantinho seco e longe do sol.

Água boa. Filtrada ou mineral. Cloro e café não são amigos.

Não deixa ferver. Quando começarem as primeiras bolhinhas, desliga o fogo. Água fervendo "queima" o pó.

Proporção que funciona. Uma boa base é entre 7 e 10 g de café pra cada 100 ml de água. Mais ou menos uma colher de sopa cheia. Achou forte? Diminui. Fraco? Aumenta. Quem manda é você.

Açúcar depois, se quiser. Não coloca na água antes de passar. Se gosta de adoçar, adoça na xícara. Sem julgamento nenhum por aqui.

E o método?

Pode ser Melitta, coador de pano da vó, moka, V60, prensa francesa. Todos fazem café bom quando o café é bom. A gente tem nosso xodó pelo coador de casa, mas o melhor método é aquele que você tem aí e gosta de usar.

Pra fechar

Reconhecer café bom é mais sobre prestar atenção do que sobre saber regra. Cheira, prova, repara no que gostou e no que não gostou. O resto vem com o tempo e com muita xícara.

E se quiser pular a parte de caçar café bom por aí, o clube da Uai faz isso por você: a gente escolhe, você só passa o café. ☕